Exteriores – Bob Wolfenson

Exteriores – Bob Wolfenson

Exteriores – Bob Wolfenson

11/03
Instituto Rouanet R. Direita, 248 - Centro, Tiradentes

Links Úteis

Descrição Completa

Exposição “Exteriores” — Bob Wolfenson

O Instituto Rouanet recebe a exposição “Exteriores”, do fotógrafo Bob Wolfenson, um dos nomes mais relevantes da fotografia brasileira contemporânea. A mostra apresenta imagens produzidas ao longo de décadas de percurso do artista por diferentes paisagens e territórios, revelando um olhar atento ao acaso, ao cotidiano e aos encontros inesperados que surgem fora dos ambientes controlados do estúdio.

As fotografias exploram a relação entre o fotógrafo e o mundo ao seu redor, registrando cenas que surgem durante caminhadas, viagens e observações espontâneas. Mais do que retratar lugares específicos, a exposição propõe uma reflexão sobre o olhar do fotógrafo e sobre como a fotografia pode transformar momentos aparentemente comuns em narrativas visuais carregadas de significado.

A exposição integra a programação do Festival de Fotografia de Tiradentes e convida o público a percorrer esse diário visual que atravessa cidades, paisagens e instantes capturados pelo olhar sensível de Wolfenson.

Informações do evento

📍 Local: Instituto Rouanet
R. Direita, 248 — Centro, Tiradentes (MG)

📅 A partir de: 11 de março de 2026
🎟 Entrada: Gratuita

Horários de visitação
• Quinta-feira: 10h às 17h
• Sexta e sábado: 10h às 19h
• Domingo: 10h às 14h


É uma honra receber a exposição Exteriores, de Bob Wolfenson. Reconheço em Bob e em suas errâncias de cinco décadas por diversos territórios um modo de ver a cidade que dialoga com o pensamento de Barbara Freitag e Sergio Paulo Rouanet, fundadores do Instituto Rouanet.

Se, na leitura benjaminiana de Rouanet, flanar — ou passear sem rumo — proporciona vivência e reflexão, transformando o olhar do flâneur, em Barbara Freitag a cidade vira protagonista, impondo-se como uma escola de vida, formadora do sujeito em sua experiência social.

É nesse cruzamento entre experiência subjetiva e espaços exteriores (e muitas vezes interiores) que nascem as imagens de Bob, revelando o olhar do sujeito atrás da câmera: o flâneur-fotógrafo que se descobre no próprio ato de fotografar.

Adriana Rouanet
Diretora Executiva e Artística
Instituto Rouanet


O “exterior” não é apenas o espaço público, mas aquilo que escapa ao domínio do fotógrafo. A curadoria toma essa ideia como fio condutor: imagens feitas no fluxo, sem o aparato do estúdio, onde observação e vulnerabilidade se encontram.

A montagem não se organiza por cidade ou cronologia, mas por um percurso sensorial — solidão urbana, espera, deslocamento, sombras, passagens — formando um diário visual mais psicológico que geográfico.

Exteriores funciona como um autorretrato sem rosto: mesmo sem o retrato tradicional, revela o olhar — o que afeta, atravessa e reconhece no mundo.

Em Tiradentes, onde o tempo repousa sobre a pedra, as fotografias encontram outra respiração e caminhar torna-se memória. Em meio aos silêncios, o retrato de Milton Nascimento surge como permanência: presença que concentra tempo, música e pertencimento.

Francisco Moreira da Costa
Co-curador


Intuo o seguinte: quem fotografa em ambientes externos ou não controlados sabe que qualquer coisa pode ser fotografada, ou melhor, é digna de ser, e que, quase sempre, o fotógrafo não saberá previamente o que se tornará alvo de seu interesse quando estiver em campo.

Muito embora eu seja formado no ambiente controlado de um estúdio fotográfico, eventualmente, ao longo de minha trajetória, caminhei pelas ruas das cidades e pelas trilhas dos campos, carregando minha câmera em saídas aleatórias, assim como um escritor faz seus apontamentos em um caderno de notas.

Renovada de tempos em tempos ao longo de cinco décadas, minha perambulação pelo mundo com a máquina fotográfica, além de preencher uma compulsão que me é característica de inventariar tudo o que vejo, também busca saciar a curiosidade que tenho a respeito da geografia, dos costumes, da arquitetura e do comportamento nos lugares que visito, muitas vezes como um viajante ligeiro.

Quando empunho a câmera, na maioria dos casos, não vejo tudo o que está enquadrado e, se vou caminhando e deparo com algo que salta à vista, apresso-me em registrar a cena, muitas vezes sem grande precisão técnica. Ocasionalmente, o resultado é surpreendente, e fico às voltas com indagações como: “Olha aquele sujeito lá atrás olhando pra mim; e o que é aquela coisa no canto da esquina?”.

Enfim, opera-se uma certa insubordinação no sentido original dessas saídas, cuja função de inspiração ou mera busca de locações acaba ganhando um nexo próprio. Flano por aí como um mero transeunte e, com o advento das câmeras de celulares e a incrível melhora demonstrada por elas, tenho sempre à mão alguma coisa que fotografa, assim como, muitas vezes, uma certa indolência de andar com um aparelho fotográfico mais profissional: algumas imagens aqui foram feitas com o telefone!

No curso dessa flânerie, pude experimentar também uma certa desordem temática, que vai do puro instantâneo tomado do passante desavisado de minha câmera explícita à sua frente até as composições mais precisas e pensadas.

Ao rever esses registros, testemunhos de meu périplo, sinto que devo muitos deles à sorte e os recebo como marcadores de minha aventura, da passagem do tempo e das transformações acontecidas ao longo dele. De todo modo, estou cada vez mais convencido de que o que nos é dado ver através do olhar de um fotógrafo é pura ficção, ao contrário do que muitos apregoam pelo fato de a fotografia ser a mais acurada forma de representação do real.

Essas imagens aqui expostas não são sobre os lugares onde elas foram fotografadas, mas sim sobre um fotógrafo que, ao realizá-las, capturou tais exteriores de si.

Ao trazer esta exposição a Tiradentes no âmbito do Festival de Fotografia e expor na casa do século dezoito, sede do Instituto Rouanet, outrora residência da família homônima, sinto-me em sintonia com a atmosfera iluminista que se respira aqui.

E o encontro da exposição Exteriores com a trajetória internacionalista do casal Freitag/Rouanet não foi uma simples coincidência; foi uma escolha de ambos os lados.

Sinto-me privilegiado por um dos nomes mais relevantes da cultura brasileira nas últimas décadas abrigar minha exposição através do legado de seu Instituto. O nome dado à lei à qual todo o meio das artes e da cultura é tributário virou patrimônio, e digo por aí, de boca cheia: estou expondo no Instituto Rouanet.

Bob Wolfenson
Fotos e Curadoria

Localização do Evento